A moda sueca em 2025: entre a reinvenção estrutural e a força econômica global
Relatório Svenskt Mode 2025 revela setor em transformação, movimentando 178 bilhões de coroas e apostando em inovação e sustentabilidade.
Por Redação BH IN PRESS · Moda ·
A indústria da moda na Suécia atravessa um momento decisivo. Longe de ser apenas um setor criativo, o design e o varejo de moda consolidaram-se como uma engrenagem relevante da economia nacional. Os dados mais recentes do relatório Svenskt Mode 2025 confirmam essa posição: em 2023, o setor movimentou 178 bilhões de coroas suecas, gerou 22 bilhões em arrecadação fiscal e respondeu por 0,7 por cento do Produto Interno Bruto do país. O impacto vai além dos números domésticos. Em poucos anos, a moda sueca dobrou suas exportações, que hoje somam cerca de 41 bilhões de coroas por ano. O desempenho sustenta mais de 12 mil empregos diretos e reforça o posicionamento da Suécia como polo de inovação, design funcional e marcas com forte identidade global. Reestruturação e Desafios Esse crescimento, no entanto, convive com um processo profundo de reestruturação. Desde 2019, aproximadamente 1.400 empresas deixaram o mercado e, desde 2017, mais de 1.670 lojas físicas de roupas e calçados fecharam as portas. O cenário reflete uma combinação de fatores: margens pressionadas, altos custos operacionais e aluguéis elevados, que em grandes centros urbanos podem consumir até 24 por cento do faturamento das lojas. A pressão competitiva também se intensificou com o avanço de plataformas chinesas de baixo custo, como Shein e Temu. Operando em escala global e com modelos agressivos de precificação, essas empresas passaram a disputar mercado na Europa sob condições que nem sempre seguem os mesmos padrões regulatórios exigidos das marcas locais. Novos Caminhos: Second Hand e Tecnologia Apesar dos desafios, o setor encontra novos caminhos de crescimento. O mercado de moda second hand se consolida como um dos vetores mais promissores dessa transição. Atualmente, o segmento já representa 28 por cento do comércio de produtos usados no país e deve atingir um volume de 20 bilhões de coroas em até dez anos. A expansão é impulsionada por consumidores mais conscientes do impacto ambiental da indústria, além do fortalecimento de plataformas digitais especializadas. A tecnologia surge como outro eixo estratégico. Processos de digitalização, automação e soluções baseadas em inteligência artificial vêm redesenhando tanto a operação das lojas quanto o e commerce, aumentando eficiência e competitividade. Ao mesmo tempo, o setor reconhece que espaços físicos, encontros presenciais e redes de colaboração continuam essenciais para a troca de conhecimento, o desenvolvimento de talentos e a construção de novos modelos de negócio. Visão de Futuro O relatório Svenskt Mode, elaborado por Svensk Handel, Swedish Fashion Council e Stockholm Fashion District, revela uma indústria em transformação, mas longe de perder relevância. Pelo contrário. A moda sueca avança para um novo ciclo, no qual responsabilidade, inovação e visão sistêmica se tornam ativos centrais. Em um cenário global marcado por incertezas, a capacidade de adaptação pode ser justamente o elemento que garantirá sua força e protagonismo nos próximos anos.