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Economia Circular: indicadores, desafios e impacto real

Números recentes revelam descompasso entre discurso e prática na sustentabilidade das cadeias produtivas globais.

Por Redação BH IN PRESS · Dados de Mercado ·

A economia circular consolidou-se como um dos principais indicadores para medir a sustentabilidade das cadeias produtivas globais, mas os números mais recentes revelam um descompasso significativo entre discurso e prática. De acordo com o Circularity Gap Report 2025, elaborado pela organização Circle Economy em parceria com a Deloitte Global, apenas 6,9% de todos os materiais utilizados na economia mundial retornam aos ciclos produtivos por meio de reutilização ou reciclagem. O dado é particularmente alarmante porque representa uma queda em relação a 2015, mesmo diante do avanço tecnológico e do aumento de investimentos em reciclagem ao redor do mundo. Atualmente, o planeta consome cerca de 106 bilhões de toneladas de materiais por ano, incluindo biomassa, combustíveis fósseis, minerais e metais, sendo que mais de 90% desses recursos ainda têm como destino final o descarte ou a dissipação no meio ambiente. Embora a reciclagem global tenha crescido em volume absoluto nos últimos anos, esse avanço tem sido neutralizado pelo crescimento acelerado da extração de matérias-primas virgens, o que mantém o modelo econômico fortemente dependente de recursos finitos. Cenário Europeu Na Europa, os indicadores apresentam desempenho relativamente superior. Dados oficiais da União Europeia apontam uma taxa média de circularidade de 11,8% em 2023, a mais alta já registrada no bloco, impulsionada por políticas públicas integradas, metas regulatórias claras e incentivos à inovação industrial. Países como Holanda, Itália e Bélgica lideram esse movimento, especialmente nos setores de construção, metalurgia e manufatura avançada. Ainda assim, mesmo esse índice está distante do patamar necessário para uma transição estrutural efetiva. O Avanço no Brasil No Brasil, a economia circular avança de forma desigual, mas com sinais positivos no setor industrial. Levantamentos da Confederação Nacional da Indústria indicam que aproximadamente 60% das indústrias brasileiras já adotam práticas associadas à circularidade, como reciclagem de resíduos, uso de fontes renováveis de energia e otimização de processos. Contudo, o país ainda enfrenta gargalos estruturais, como a falta de uma política nacional integrada, tributação complexa para materiais reciclados e logística reversa incipiente em grande escala. O desafio agora é transformar iniciativas isoladas em um sistema econômico regenerativo capaz de desacoplar o crescimento econômico do consumo de recursos naturais.