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Global Fashion Agenda avança com parceria circular na Turquia

Iniciativa estratégica promete transformar o gerenciamento de resíduos têxteis industriais a partir de 2026.

Por Redação BH IN PRESS · Negócios ·

A Global Fashion Agenda (GFA) avança em uma das iniciativas mais estratégicas dos últimos anos para a indústria da moda com o lançamento da Circular Fashion Partnership: Türkiye, que entra em operação a partir de 2026. A proposta é simples no enunciado, mas complexa na execução: transformar a forma como o setor lida com resíduos têxteis industriais, especialmente aqueles gerados no processo de corte e confecção, e construir um sistema verdadeiramente circular dentro das fábricas. A escolha da Turquia como país-piloto não foi casual. O país possui uma cadeia produtiva altamente estruturada, com forte capacidade industrial, proximidade regulatória da União Europeia e um volume significativo de resíduos têxteis que podem — e devem — ser reaproveitados. A iniciativa reúne organizações como Rematters, Reverse Resources, Closed Loop Fashion e Circle Economy Foundation, com apoio financeiro da H&M Foundation, criando uma coalizão inédita que une tecnologia, logística e conhecimento técnico. O programa prevê a implementação de sistemas de segregação dentro das fábricas, treinamento técnico para trabalhadores e gestores, uso de ferramentas digitais que rastreiam resíduos desde o momento em que são gerados até sua entrada em recicladoras. O anúncio acontece em um momento crítico. Em 2024, o mundo descartou cerca de 120 milhões de toneladas de roupas e têxteis, sendo que 80% desse montante acabou em aterros ou incineradores. Apenas 12% teve algum tipo de reutilização e menos de 1% retornou à cadeia como nova fibra. A perda econômica associada ao desperdício passa de US$ 150 bilhões ao ano, evidenciando a fragilidade e a ineficiência do sistema linear que ainda domina a moda global. Nos últimos anos, no entanto, surgiram tecnologias que começam a mudar esse cenário. A triagem automatizada, baseada em sensores e inteligência artificial, permite identificar com precisão a composição de tecidos complexos. Processos de reciclagem fibre-to-fibre, tanto mecânicos quanto químicos, já conseguem recuperar fibras de poliéster, algodão e mistos com qualidade compatível para novas produções. A iniciativa da GFA na Turquia representa, assim, mais do que um projeto regional: ela funciona como um protótipo de um sistema industrial moderno, baseado em dados, integração e retorno de materiais ao ciclo produtivo. Se bem-sucedida, pode se tornar referência para outras cadeias de produção na Ásia, na América Latina e em regiões com forte presença de confecções e exportação de vestuário. O que se desenha agora é uma nova etapa para a moda global. A Turquia se torna ponto de virada e laboratório vivo de uma transição necessária: menos descarte, mais valor, mais tecnologia e um sistema que finalmente começa a enxergar o resíduo não como problema, mas como recurso estratégico. Essa é a base de uma moda que pretende ser, de fato, sustentável.