Morar Mais BH 2026 premia projetos que transformam memória em soluções para morar melhor
Na última semana da mostra, quatro ambientes foram reconhecidos por traduzir brasilidade, sustentabilidade, customização e escolhas inteligentes dentro da Casa Cortez de Paula.
Por Redação BH IN PRESS · Radar BH IN ·

A casa pode ser entendida como abrigo, mas também como arquivo. Ela guarda modos de fazer, objetos que atravessam gerações, cores que retornam e pequenos rituais capazes de dar sentido ao cotidiano. Foi a partir dessa perspectiva que a 19ª edição da Morar Mais Belo Horizonte reconheceu, em 26 de agosto, quatro ambientes que melhor interpretaram os pilares da mostra: Mais por Menos, Sustentabilidade, Brasilidade e Customização. Realizada na Casa Cortez de Paula, no bairro Cidade Jardim, a edição reuniu 24 ambientes assinados por 34 arquitetos, designers de interiores e paisagistas. O cenário modernista dos anos 1950 não funcionou apenas como pano de fundo: tornou-se parte do argumento curatorial. Em vez de apagar a história da residência, os projetos premiados trabalharam com o que já estava ali — recuperando, ressignificando e dando novas camadas ao espaço. Mais por Menos: preservar também é projetar O primeiro lugar em Mais por Menos ficou com o Quarto Entre Laços, assinado pela DUALE Arquitetura, de Luiza Reis e Beatriz Machado. O ambiente infantil recupera o azul-claro e o bordô originais da casa para criar um quarto de bebê que não depende do excesso para produzir acolhimento. A memória aparece nas cores, no desenho e na decisão de manter elementos que poderiam ter sido simplesmente substituídos. O armário original recebeu uma nova função e passou a incorporar o trocador. A pintura manual da artista Mariana Tavares e os elementos personalizados completam uma solução em que economia não significa empobrecimento. O projeto mostra que fazer mais por menos passa por observar melhor: preservar uma peça, entender sua estrutura e permitir que ela participe de uma nova fase da casa. Sustentabilidade: renovar sem apagar Na categoria Sustentabilidade, o vencedor foi Banheiro Público | Refúgio Diário, de Debora Gomes Amorim. A proposta parte de uma premissa simples e ainda pouco praticada: antes de trocar, é preciso olhar para o que existe. Azulejos em bom estado, piso e outros acabamentos foram mantidos; alguns elementos receberam pintura e passaram a funcionar dentro de uma composição atualizada. O resultado não transforma sustentabilidade em acabamento visual. Ela está no processo de decisão, no reaproveitamento e na valorização da história do ambiente. A iluminação, os tons e as texturas reorganizam a percepção do banheiro sem negar sua origem. É uma abordagem especialmente pertinente em reformas: o impacto também diminui quando o projeto trabalha com permanências. Brasilidade: a cozinha como lugar de pertencimento O Coração da Casa, assinado por Marina Roman, venceu em Brasilidade e ainda conquistou o terceiro lugar em Mais por Menos e Customização. Instalado na cozinha, o ambiente reconhece a mesa e a gastronomia como centros de convivência e de transmissão cultural. A brasilidade não aparece como uma coleção de símbolos aplicados à decoração, mas como uma experiência cotidiana. Pendente de cerâmica artesanal inspirado em utensílios da gastronomia, painel que remete a uma peneira de farinha de mandioca e referências à jabuticaba articulam memória afetiva, matéria e uso. A cozinha é tratada como um espaço de identidade: é onde se prepara a comida, mas também onde as histórias da casa encontram continuidade. Customização: fazer manual como narrativa Em Customização, Costurando Memórias, de Natália Píramo e Vanessa Dutra, homenageia Suzanna Cortez de Paula, antiga moradora da casa, a partir da relação dela com a alta-costura. O projeto transforma técnicas e objetos do fazer manual em elementos espaciais: carretéis, linhas, botões, fotografias, moldes e um vestido criado no próprio ambiente entram na composição. O teto, executado com entretela, tela de segurança e abraçadeiras de nylon, sintetiza a lógica do ambiente: materiais comuns podem ganhar outra leitura quando articulados com intenção. A customização, aqui, não é apenas personalização estética. É uma forma de reconhecer quem viveu naquele endereço e de fazer a história continuar operando no presente. Uma mostra em que o morar volta a ser consequência Os quatro vencedores revelam diferentes caminhos para uma mesma pergunta: como criar espaços contemporâneos sem perder vínculo com o território? As respostas passam por reaproveitar, preservar, traduzir repertórios brasileiros e construir com as próprias mãos. O júri também reconheceu outros projetos finalistas, reforçando a diversidade de soluções apresentadas nesta edição. A mostra ainda aproximou arquitetura, design, empreendedorismo e economia criativa por meio da Vitrine Minas Moda Autoral, realizada com apoio do Sebrae, além de integrar gastronomia à experiência do visitante. Na Casa Cortez de Paula, morar aparece menos como uma imagem pronta e mais como um processo: uma combinação de escolhas, memórias e possibilidades concretas. Fonte: material de apoio da Morar Mais Belo Horizonte 2026, com informações da organização da mostra. Evento: premiação realizada em 26 de agosto de 2026, na Casa Cortez de Paula, em Belo Horizonte.